quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desafios alteram o perfil da profissão de publicitário

Há 20 anos, tudo o que um cidadão precisava para se tornar publicitário era "ter grandes sacadas". Hoje, os responsáveis por contratações nas agências procuram profissionais com formação completa na área de economia e negócios. Por outro lado, esses mesmos contratantes também buscam pessoas capazes de transitar bem no mundo digital - o que pressupõe habilidade, e não um certificado. O fato é que as necessidades do mercado estão em rápida evolução, e o perfil da atividade de publicitário, em plena mutação.

"Agências, anunciantes e veículos esperam que as faculdades de comunicação formem jovens preparados para assumir funções específicas quase imediatamente. Por outro lado, as escolas dizem, com razão, que isso seria contraproducente, pois o verdadeiro objetivo da universidade é preparar os alunos para a vida profissional da forma mais ampla possível", pondera Francisco Gracioso, conselheiro-associado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e presidente da comissão que vai discutir o tema A Educação, a Profissão e o Mercado, durante o IV Congresso Brasileiro de Publicidade.

Ele lembra que, em 1978, quando foi realizado o último Congresso Brasileiro de Propaganda, a compra de mídia respondia por cerca de 75% dos investimentos em comunicação dos anunciantes. Hoje, a propaganda responde por apenas 45% dos investimentos em comunicação, segundo dados da TNS InterScience.

Por isso, Gracioso diz que o mercado específico dos jovens que se formam nos cursos de comunicação social inclui novas arenas da comunicação, como o varejo, o universo digital, o marketing esportivo, o mundo do entretenimento, as grandes feiras e eventos. "A propaganda tradicional também é importante, mas não é mais a rainha das batalhas", assinala.

Dados compilados todos os anos pela ESPM em São Paulo mostram que as agências de propaganda atraem em média 10% dos formandos; 30% se encaminham para as novas arenas da comunicação e para os veículos tradicionais; e a maioria (cerca de 60%) encontra a sua primeira colocação nas áreas de marketing, vendas e promoções das empresas. Diante disso, fica claro que os currículos dos cursos superiores não podem privilegiar apenas as necessidades das agências de propaganda.

"O grande desafio é reconhecer quem é a nova geração e como ela foi preparada. Existem grandes gaps a serem preenchidos", afirma Roberta Rivelino, diretora da The Talent Business, empresa especializada na busca de profissionais para o setor de comunicação. "Existe um perfil de profissional que viveu a bolha da internet e que teve de desenvolver novas habilidades que iam além da criação publicitária", aponta Roberta, ao apontar que a internet também mudou o perfil do profissional de criação. "Ele agora tem de pensar em comunicação no mundo on e off-line", afirma.

**Fonte: Meio e Mensagem

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